segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Hora de deixar ir... II

"Talvez não seja nessa vida ainda,
mas você ainda vai ser a minha vida (...)
O vento certo vai soprar no mar,
pode crer que tudo vai dar certo."

Naquela noite a cinderela veio ao mundo real. Há (restos de) cartas espalhadas no lençol da cama, eu as tirei da caixa com a intenção de queimá-las. Mas de longe, consegui ler o cabeçalho de uma delas.. Talvez a mais simples de todas, e a última que recebi. Ali estava escrito 'que sempre transborde a doce paz que corre por dentro de voce'
Me diz, transbordar o quê? Não há mais nada de doce em mim, nem paz. Há sim um enorme vazio, daqueles que a gente tem medo de ir lá no fundo por não ter fôlego suficiente sabe? Eu nem me atrevi a mergulhar nele, só me acomodei. Já sabia que seria bem isso mesmo, desde o início! Aquele laço perfeito que me envolvia se fantasiava corrente, e me aprisionou direitinho.
Quem sempre estava livre era e é ele, nasceu pra ser pássaro mesmo. Se eu pudesse escolher uma profissão pra ele, seria caminhoneiro: seu destino é um segredo, sem data pra ir nem pra voltar.
Eu não queria ser mais uma de suas mulheres a te esperar, com uma camisa lavada na mão e o prato quentinho na mesa, eu queria viajar com ele por esse mundão aí..Com direito a mãos dadas e Sula Miranda tocando no rádio. Pire aí!
Pois é meu caro, eu pirei. Por isso tirei a caixa de lembranças guardada a sete chaves de cima do guarda roupa e arremessei em minha cama. Espalhei tudo mesmo, e vou queimar uma por uma, com a intenção de apagar da minha vida essa etapa surreal. Mas antes de queimar, quero ler cada uma e deixar rolar o filme dos momentos bons, dos detalhes que nem a chama do tempo apaga.

Já vi que não tem fim. É hora de deixar ir...

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